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sábado, novembro 03, 2007

Explicando a Arte atrás de uma Música.

Sim, você conhece Open Your Eyes do Snow Patrol.

Este som está na boca do povo, além de ter várias versões de clipes encontrados no You Tube, andam mixando a música pra todo tipo de batidas imagináveis, pode ser que lancem uma versão pagodeira de Open Your Eyes no ano que vem.

E para aqueles que devem ter assistido uma dessas versões de Open Your Eyes originais - digo de passagem, o clipe preferido pela maioria - onde um carro percorre o centro de uma cidade de aspecto nublado, que no final do percurso, estaciona e encontra uma mulher com cabelos loiros. O Clipe seria tão normal quanto qualquer outro se não fosse os pequenos detalhes.

Reparando bem, você começa a perceber algumas coisas estranhas: os carros são muito antigos para um clipe do Snow Patrol em tempos atuais, nada é parecido com os dias de hoje, por outro lado, o filme é de boa qualidade!

Aí perguntamos: Que lugar este clipe foi gravado, afinal?

Muitos de vocês devem ter pensado que pudesse ser uma cidade de bisonha à exótica do Leste Europeu, mas todos sacam que deve se tratar mesmo de um filme antigo.

A resposta que achei por aí:

Esse clipe foi retirado de um filme cult feito em apenas uma tomada (sem cortes) chamado C'était un rendez-vous (Era um encontro). Foi filmado em 1976 em apenas 9 minutos numa câmera de 8mm em filmes de 35mm, percorrendo o centro velho de Paris às 5:30 da manhã.

Para ser mais preciso, Open Your Eyes começa depois de 02:40 minutos a partir do filme original, por isso não vemos o "Arco do Triunfo" no clipe. Que é mostrada logo no começo do filme original.
Outra diferença é que no filme original, o carro guiado esta bem mais rápido que no clipe da música.

O carro em questão era para se parecer com uma Ferrari 275 GTB, mas foi usado na verdade um Mercedes Benz 6.9L, apenas mixaram o som do motor da Ferrari em cima do original para dar impressão de alta rotação, mais potência e velocidade.

E falando em velocidade, quem dirigiu o filme (e também o carro) foi Claude Lelouch, ele pode ser visto no final do clipe.

Esse cara gravou em uma tomada unica toda a meta do trajeto em uma câmera que lhe oferecia apenas 10 minutos de filme. Para percorrer todo o mapa em pouco tempo, ele teve que usar e abusar das velocidades até 200Km/h em avenidas conhecidas da cidade e ruas curtas. Ele também não parou em faróis vermelhos, espantando pombos, não respeitou pedestres, cometeu um crime em negligenciar os erros no trânsito.

No final das contas, ele foi preso e liberado logo depois sem ser sentenciado por se tratar de uma obra na qual assume todas as culpas. Porém, seu filme foi proibido de ser vendido com alegação de incitar outros motoristas a cometerem o mesmo delito.

Hoje o filme foi liberado, esta aqui para seu deleite.


quinta-feira, setembro 20, 2007

Conhece Audrey Kawasaki?

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Desenhe em uma tábua de madeira traços suaves e ornamentados com toda a doçura e expressão da adolecência, desmonte a perfeição para algo mais casual, use a criatividade e nos deparamos com a nova arte - algo que realmente encanta qualquer olhar é a inocência com o escraxado.

a-03-'oasobi'_8x11Audrey Kawasaki, nipo-americana de 25 anos que reside em Los Angeles (a cidade dos artistas bizarros, ops!) estudou dois aninhos no Pratt Institute, uma escola de artes de Nova York. Ariana da horda dos artistas plásticos do primeiro decanato como Van Gogh entre outros, já deixa claro o seu carater e explica a melancolia e o erotismo estampada nos rostinhos de jovens garotas um singelo ar angelical, exaltando o íntimo sensual e o imaculado, com auto teor de sarcásmo pornográfico lesbiano, animalesco e necrófito.

Pinturas a óleo em painel de madeira. Segue fortemente o ramo artístico do Art Nouveau com expressões do Mangá tradicional japonês.

Chega de explicação? Então visite o site oficial dessa incrível artista aqui. É uma obrigação degustar Kawasaki. Pode ser que você se inspire na sua próxima tatoo.

 

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Recado aos Navegantes - Pra exemplificar uma clara idéia de Art Nouveau, poderemos sugerir os ultimos desenhos do Batman na televisão, que também segue este estilo - tanto nos carros, Batmovel, como nos prédios alí mostrados. O importante desta arte é valorizar linhas retas, curva e espaços com ornamentos básicos. Expressão comum na primeira metade do século passado e ainda encontrados até hoje.

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ôh delícia!

quarta-feira, setembro 12, 2007

Momentos Mágicos do Cinema que só vemos no Corujão:

shirley_temple_outrocanalNesta madrugada apareceu um filme nos Corujões da Globo a história baseada na vida de Shirley Temple - Estrela Mirim: A História de Shirley Temple (Child Star: The Shirley Temple Story) - a garotinha prodígio que gravou 40 filmes nos anos 30 - era uma bela e ótima atriz mirim, dançava e cantava muito bem, levava milhões para as salas de cinema, rendia rios de dinheiro pra todo mundo da Fox e Paramount e ainda continua sendo "O Ícone" para criancinhas querendo aparecer e para pais quase panacas.

Tá ok gente! Pra não ficar mais chato, vamos simplificar o resto: no filme ela contracenava com o ator negro Mr. Bill Bojangles, um sapateado 'ôrra-nossa-senhora-de-difícil' numa escada no Filme "The Little Colonel" de 1935.

Nâo sei nada do filme, mas a cena é simplesmente Maravilhosa.

Ela foi a primeira branquinha a contracenar com um ator negro num Estados Unidos ainda racista - olhem só, logo uma criança com 6 anos e meio, cof, cof 5 aninhos em seus 56 reluzentes caixinhos dourados, de pele alba e olhos azuis que o chamava o negão carinhosamente de 'Tio'!

Vamos lá - se neste filme chato no Corujão da Globo, a cena que dançavam parecia ser um momento mágico reproduzido, então imagine a cena real da mesma tomada há 80 anos atráz!

Achando o vídeo numa pesquisa simples na primeira página do YouTube entre outros foi até emocionante assistir, Olha aí o que encontrei...


sábado, agosto 18, 2007

Conhece Mark Ryden?


Estes são os quadros do norte-americano Mark Ryden. Um dos mais respeitados artistas plásticos underground de todos os tempos.
Respeitado porque suas obras além de incomuns, fazem do artista o ícone do Pop e o Surreal.

Com sofisticação, consegue expressar no mesmo plano a
inocência das 'história do imaginário infantil' com o religioso, o sinistro, bizarro, amável e grotesco: brinquedos, mundo encantado, rostos redondos angelicais, animais encantadores com muita doçura, junto com carne, símbolos alquimistas, sangue, demônios, Jesus Cristo e delírio total, fazem parte da mente do desenhista com intuito espantar tais idéias que nos deixam encabulados.


E não é atoa que Ryden foi convidado por algumas bandas a criar trabalhos gráficos em seus discos. Uma delas é a capa do Album "On Hot Minute", do Red Hot Chilli Peppers (1995).
Das obras de Ryden, foi usado um quadro pela banda épica Screaming Trees, no disco "Uncle Anesthesia" (1991) entre outros.

Nota: Interessante é o desenho que Ryden fez do Jimi Hendrix:
cheio de símbolos hippies, num pedestal de bife para um 'Santo', seguindo a arte hindú de Iluminura, com aquela mesma famosa Fender 'verde-piscina' - agora pegando fogo - com rosas caídas no chão como se jogadas por um fã, acompanhado no ombro do 'Mestre' uma abelha, o símbolo pessoal do desenhista... este é Mark Ryden.

A identificação com seus quadros é fácil, mesmo porque, antes de achar algo estranho nos detalhes, lhe parecerá singelo e irônico na primeira vista. As percepções são vagarosas até se dar conta que no fundo, tudo é simplesmente tosco.

Um dos seus trabalhos mais famosos, com certeza foi "Rose #47". Há quem diga que o quadro rende como uma bela tatuagem - a garotinha das lágrimas de sangue.

É um dos artistas mais fodas que eu conheço e recomendo uma apreciação. Ele está na ativa morando e trabalhando em Los Angeles - California, e ainda mostra seus quadros no mundo todo.
Se quiser saber mais das Obras de Mark Ryden, entre neste site: http://www.markryden.com e divirtam-se...

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..Muito massa!

quinta-feira, agosto 16, 2007

Alberto Korda é:


Se você se deparar com o magnífico quadro de Mona Lisa, você poderá até lembrar também do nome genérico para o mesmo quadro - La Gioconda, não terá dificuldade em lembrar também o nome do autor do quadro - Leonardo Da Vinci e ainda você será capaz de repassar alguns dados - começou a desenhar em 1503 e só terminou 3 ou 4 anos depois - e de falar como qualquer pessoa que o tal sorriso é mais enigmatico do mundo... Nem pra tanto, já que é a obra mais conhecida do domínio Público Mundial, não saber nada de Leonardo Da Vinci é uma total falta de informação, e se você sabe pelo menos um pouco, parabéns pra você!

Mas, você com certeza nunca parou pra pensar: "Poxa, amo esta imagem, quem será que tirou esta foto de Che? O cara deve estar rico agora ...Bem, deixa pra lá, isso não me interessa!"

Interessa sim, apresento para vocês Alberto Korda..

Seu nome verdadeiro é Alberto Díaz Gutiérrez, mais conhecido como Alberto Korda, um cubano nascido em 14 de setembro de 1928, que foi dono de um estúdio fotográfico focado em publicidade e moda em Havana antes da Revolução Cubana, foi o responsável pelo maior icone Pop de esquerda de todos os tempos usadas até hoje.

A sua obra é vista em qualquer lugar, desde camisetas ou cartazes
colados nos muros, nas ruas, demonstração de idéias, um símbolo de domínio público e muito usado hoje como inspiração de idéias revolucionárias para jovens em busca de ideais. É sem dúvida, depois de Jesus Cristo, a segunda imagem pop mais famosa do planeta, a imagem definitiva de Che Guevara de Korda.

A fama de Korda foi por acaso e sem querer, sendo reconhecida muito tempo depois já quando Che estava falecido. Mas antes de comentar esta foto, vamos focar um pouco os outros trabalhos quando começou na sua carreira, na sua mudança para a idéia socialista, seu trabalho como fotógrafo jornalistico do 'Revolución', o reconhecimento Internacional.

De seu trabalho reunido, uma coleção de imagens intitulada: "Cuba por Korda", é mostrada com fotografias as fases de sua carreira, quando começou em 1950 em seu estúdio tirando fotos de produtos comerciais como pacotes de salsicha, de café e marcas de garrafas de rum, como também, fotos de modelos, sensualidade e erotismo feminino, muitas mulheres, vendendo depois para um semanário de Havana, se tornando o primeiro fotógrafo de moda em Cuba, o semanário celebrizou a sua esposa Korna, também modelo.

A sua mudança para o ideal socialista foi até radical quando se trata de visão para um fotógrafo inconformado, uma conversão.

Em 1958, Korda se encontrava em um vilarejo miserável, e alí teve seu Insight social-humano quando trabalhava na região de Pinar del Rio, famosa pelos melhores charutos que produz no mundo.
Estava diante de uma menina chorando assustada pela câmera, Tinha percebido que nas mãos dela havia um pedaço de madeira envolto com papel jornal como um "vestido", na qual a menina a chamava de "Minha Boneca".
Sensibilizado, se interioriza para a real condição do país - a pobreza - na então Cuba de Baptista, e se torna um revolucionário apoiando Fidel Castro.


Em 1959, em Cuba agora comunista, trabalha como militante para o
Jornal Revolución e sem
ganhar salário pelos seus serviços.
Escrevia textos de aclamação popular para a revolução.
Integrou-se na equipe jornalística que acompanhou Fidel em sua viajem para os Estados Unidos, e lá mesmo, tirou uma fotografia interessante que mostra fielmente a força de seu trabalho - A incrível imagem de Fidel Castro contemplando o Lincoln Memorial, uma estátua gigante do 16° presidente dos Estados Unidos Abraham Lincoln, feito em granito em Washington D.C. (ver foto)
Fidel gosta do seu trabalho, e o convida em sua delegação para uma visita na Venezuela. Assim, foi fotografo pessoal de Fidel durante 10 anos, de 1968 até 1978.

A Celebração da cena imortalizada de "Che Guevara de Korda" veio em 5 de março de 1960, num ato de protesto às 136 vítimas de sabotagem na explosão do cargueiro francês Le Coubre, no porto de Havana. Ao lado de várias autoridades cubanas que naquele momento dividiam o espaço no palanque, Fidel discursava junto a população com Che, Sartre e Simone de Beauvoir, quando num exato momento, Che avança para ver a multidão. Rapidamente, Che foi enquadrado na perspectiva de Korda que bate duas fotos (uma na vertical e outra na horizontal) mostrando a expressão carregada e severa de Che (ver foto), vestido com sua jaqueta verde-claro com detalhes em preto. Alberto Korda nunca se deu conta da força daquelas imagens, ele conseguiu a cena derrepente numa aparição de rápidos 45 segundos do 'El Comandante' na tribuna, e nem tinha idéia também da sorte em conseguir extrair a bela expressão.

Mas esta cena, como foi dita, não ficou famosa instantaneamente: foi desprezada pelo arte-finalista do Jornal Revolución no dia seguinte pós o ato e só foi publicada um mês depois no jornal, impressa em 3x4 do tamanho, dizendo sobre uma conferência que Chê daria na tv estatal cubana.

Quando Che foi morto na selva por tropas bolivianas, meses depois, vem até Cuba Giangiancomo Feltrinelli, um editor italiano, ativista da esquerda radical na Europa e amigo de Fidel. Giangiancomom procurava algumas imagens de Che, escolhendo as fotos de Korda. Giangiancomo recortou as laterais da tomada em horizontal, imprimiu milhares de postais e pôsteres e espalhou por todo o mundo. E Alberto Korda nunca recebeu um tostão da fotografia que tirou, e nem mesmo seu nome expresso, nunca ofereceram a ele tal direito em valores, e ele nunca foi buscar o que era garantido.

Alberto Korda teve uma ataque cardiaco em 15 de maio de 2001, quando estave em Paris, está enterrado no Cemitério de Colon, em Havana - Cuba.

Pra finalizar, a jornalista brasileira Alessandra Silvestri-Levy o entrevistou em Point Dume, Malibu - Los Angeles. Ela foi co-autora do livro de fotorafias quando caminhava e entrevistava sobre a calçada da orla com Korda, lhe fezendo uma pergunta:

-Se você tivesse sido pago a dez centavos de dólar por cada foto reproduzida, compraria um desses palácios?

Korda guarda silêncio. Horas mais tarde, já retornando a Cuba, dá
sua sentença:

-Sabe, a vista que tenho do meu apartamento, dos pores-do-sol, o jeito com que as mulheres
cubanas caminham sobre o malecon, um peixe fresco ou um porco grelhado com meu rum Anejo, meus cigarros populares... eu não trocaria isso por nada neste mundo.

Esta é minha homenagem à Alberto Korda, que tem sua melhor obra estampada em camisetas de roqueiros e pseudo-socialistas, cadernos teens e poster da moda moderna, sem que estes que sempre usam tal imagem, não saibam da metade daquilo que está alí!